Suicídio: um tema que precisa ser debatido e aprendido
Um dos temas mais sensíveis da psiquiatria, e que ocupa um lugar central no aprendizado dos alunos, é o suicídio. No Brasil, cerca de 14 mil pessoas tiram a própria vida anualmente, o que equivale a uma morte a cada 40 minutos. Apesar de alarmante, o suicídio não é um fenômeno imprevisível, podendo ser compreendido e prevenido.
Assim como a mortalidade é a maior preocupação da medicina, o suicídio é o grande desafio da psiquiatria. Até podemos não conseguir garantir que todos os pacientes alcancem plena felicidade ou funcionalidade, mas a nossa responsabilidade principal é de ajudá-los a permanecerem vivos.
Viktor Frankl, psiquiatra austríaco e sobrevivente do Holocausto, defendia que encontrar um propósito para a vida é essencial para suportar o sofrimento. Na prática clínica, vemos como a ausência de sentido pode ser um fator decisivo para o ato final do suicídio.
O impacto social e clínico do suicídio no Brasil
No Brasil, fatores como pobreza, desemprego e violência urbana agravam transtornos psiquiátricos e aumentam o risco de suicídio. O isolamento social, a falta de suporte familiar e o acesso a meios letais (como armas de fogo) são desafios constantes, especialmente entre profissionais de segurança pública.
Na prática clínica, a avaliação cuidadosa do paciente é fundamental. Frequentemente associados ao suicídio, podemos citar os seguintes transtornos mentais: depressão maior, transtorno bipolar, esquizofrenia, transtornos de personalidade (em especial a personalidade borderline) e transtorno por uso de substância. Além disso, são agravantes de risco: pacientes com histórico de tentativas de autoextermínio anteriores, sexo masculino, histórico familiar de suicídio e estressores pessoais e/ou sociais (desemprego, divórcio, perdas financeiras, etc).
Agora, embora haja fatores sociais que influenciem o suicídio, a causa mais importante é o transtorno psiquiátrico ativo, em especial o episódio depressivo, seja no transtorno bipolar, seja no transtorno depressivo maior.
O papel da avaliação psiquiátrica no manejo do risco
No que tange o tratamento farmacológico, os antidepressivos, isoladamente, não previnem o suicídio – inclusive, em alguns casos, aumentam o risco inicial. Por outro lado, o lítio continua sendo a medicação mais eficaz para a prevenção de suicídio em transtornos de humor, enquanto a clozapina se destaca na redução desse risco na esquizofrenia.
Em casos refratários ou que necessitem rápida resposta, a psiquiatria intervencionista oferece recursos que podem salvar vidas. O uso de eletroconvulsoterapia (ECT) e, mais recentemente, da cetamina, tem se mostrado altamente eficaz para pacientes que não respondem ao tratamento convencional (ou que haja necessidade de rápida resposta). Na PsiQs, temos orgulho de oferecer uma pioneira pós-graduação em psiquiatria intervencionista, formando profissionais preparados para lidar com casos complexos e refratários com técnicas avançadas.
Por fim, é importante reforçar: o suicídio pode, sim, ser evitado. É exatamente por isso que os cursos da PsiQs são rigorosos em seu treinamento, garantindo que nossos alunos estejam prontos para enfrentar esse desafio com competência e responsabilidade.
Especialização em Psicofarmacologia
Isto posto, não se deve confundir apresentações tão distintas sob o mesmo diagnóstico de Transtorno Depressivo Maior (TDM). Reconhecer corretamente o tipo predominante de depressão é crucial para a escolha terapêutica adequada, melhorando significativamente o prognóstico e a qualidade de vida do paciente. Por conseguinte, a caracterização clínica é fundamental para a escolha adequada inicial dos antidepressivos e não a recomendação indicada no teste farmacogenético.
A maioria dos testes avalia aspectos relacionados à metabolização dos medicamentos, e não a indicação da melhor medicação para o quadro clínico do paciente. Esses testes analisam genes que codificam enzimas do sistema CYP450, responsáveis pelo metabolismo de muitos psicofármacos. Saber se um paciente é um metabolizador ultrarrápido ou um metabolizador lento pode ajudar a ajustar doses e evitar efeitos colaterais ou ineficácia, mas raramente oferecerá um resultado claro sobre qual antidepressivo terá melhor resposta
Na pós-graduação em psicofarmacologia da PsiQs, ensinamos estratégias diversas para o tratamento da depressão unipolar, que costumam trazer respostas mais rápidas e claras do que a simples troca de medicação baseada em testes genéticos. Assim, o aluno poderá reservar o uso do teste genético para casos de verdadeira refratariedade do episódio depressivo maior (após o diagnóstico diferencial com transtorno bipolar e sintomas pré-mórbidos da esquizofrenia).
Diante do exposto, o farmacoteste pode ser uma ferramenta útil, mas raramente é um bom ponto de partida para o tratamento da depressão maior.
Torne-se aluno da pós-graduação de psicofarmacologia da PsiQs e aprenda as melhores estratégias para o tratamento dos seus pacientes com depressão e se torne um profissional diferenciado e de referência na psiquiatria!
Vale a Pena Investir na Especialização em Psiquiatria?
Diante do cenário de alta demanda, excelentes perspectivas de remuneração e diversas possibilidades de atuação, a Psiquiatria se destaca como uma das especialidades médicas mais promissoras no Brasil. Para médicos recém-formados ou que desejam migrar de especialidade ou acrescentar uma nova especialidade, investir na formação em Psiquiatria pode ser um passo decisivo para uma carreira de sucesso e impacto positivo na saúde mental da população.
Demétrius de Luna Lopes
Diretor Geral da PsiQs
Graduado em Medicina
Residência Médica em Psiquiatria pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ)
Residência Médica em Psiquiatria Forense pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (IPUB/UFRJ)
Especialista em Psicoterapia
Médico Concursado da SES-DF, atuando na gerência de medicina do trabalho.