Tipos Comuns de Anabolizantes Utilizados para Ganho Muscular e os Riscos à Saúde Mental
Embora o uso de anabolizantes — especialmente os esteroides anabolizantes androgenéticos (AAS) — seja comumente associado ao ganho de massa muscular e desempenho atlético, há importantes repercussões à saúde mental que muitas vezes são negligenciadas. Médicos que desejam atuar em saúde mental, endocrinologia ou psiquiatria devem estar atentos a essas relações.
1. Principais tipos e mecanismos de anabolizantes
Anabolizantes anabolizantes androgenéticos (AAS): derivados sintéticos da testosterona, usados para estimular crescimento muscular, força e recuperação. nhs.uk+2cces.ca+2
Preparações orais (17α-alquiladas) ou injetáveis (ésteres de 17β) são comumente usadas, muitas vezes em regimes combinados (stacking) ou protocolos de ciclo (on/off) para maximizar o efeito. PubMed+2CCJM+2
O uso frequentemente envolve doses bem superiores às terapêuticas prescritas, sem supervisão médica.
2. Riscos físicos já bem documentados
Vale lembrar alguns dos danos físicos associados:
Alterações hepáticas (colestase, lesão hepática);
Disfunções hormonais, infertilidade;
Cardiovasculares (hipertensão, dislipidemia, risco de infarto);
Disfunções renais;
Distúrbios metabólicos;
Ginecomastia ou alterações secundárias à aromatização;
Mas, além disso, os impactos na saúde mental são particularmente preocupantes.
3. Efeitos sobre a saúde mental
A literatura aponta múltiplas associações entre uso de AAS e alterações psiquiátricas:
Depressão e ansiedade: em estudos com fisiculturistas usuários, foram observados níveis significativamente mais altos de sintomas depressivos e ansiosos em comparação com controles. PMC+2Tandfonline+2
Irritabilidade, hostilidade e agressividade: muitos usuários relatam “irritabilidade exacerbada” ou comportamentos agressivos durante ciclos de AAS (“roid rage”). ScienceDirect+3PubMed+3Frontiers+3
Alterações de humor e ciclos de mania/hipomania: há relatos de elevação de humor, impulsividade e até sintomas maníacos em alguns casos. CCJM+1
Transtornos de personalidade e comportamentos antissociais: usuários dependentes de AAS têm maior probabilidade de traços antissociais, especialmente em usuários crônicos. ScienceDirect+2ScienceDirect+2
Compulsão e dependência psicológica: o uso contínuo, mesmo após chegar a ganhos desejados, pode indicar dependência psicológica e insistência no uso apesar de efeitos adversos.
Distúrbios na autoimagem corporal: uso de AAS frequentemente se associa à dismorfia muscular, insatisfação com o corpo e busca compulsiva por estética idealizada.
Psicoses induzidas: em doses elevadas, há relatos de psicoses agudas, com delírios e alucinações, especialmente em usuários predispostos. Solace Treatment
4. Fatores de risco e vulnerabilidades
Nem todo usuário de anabolizantes desenvolverá transtornos mentais, mas alguns fatores aumentam o risco:
História prévia de transtornos psiquiátricos;
Uso em dosagens elevadas e por longo prazo;
Uso concomitante de outras substâncias (álcool, estimulantes);
Situações de vulnerabilidade psicológica (insatisfação corporal, baixa autoestima).
Uso em ciclos repetitivos e sem intervalos de recuperação.
5. Implicações para a prática médica e saúde mental
Para médicos é fundamental:
Avaliar uso de AAS em pacientes com sintomas psiquiátricos (ex: depressão resistente, irritabilidade, crises psicóticas)
Investigar histórico esportivo / hormonal mesmo quando o paciente não voluntariamente compartilha
Considerar o tratamento integrado, com suporte psicológico, retirada gradual (desmame) e monitoramento clínico
Participar de campanhas educativas, alertando atletas, jovens e público geral sobre os perigos psiquiátricos
Médicos que atuam em saúde mental precisam compreender o impacto dos anabolizantes. A pós-graduação em Psiquiatria da PsiQs prepara você para lidar com casos complexos da prática clínica.
Demétrius de Luna Lopes
Diretor Geral da PsiQs
Graduado em Medicina
Residência Médica em Psiquiatria pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ)
Residência Médica em Psiquiatria Forense pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (IPUB/UFRJ)
Especialista em Psicoterapia
Médico Concursado da SES-DF, atuando na gerência de medicina do trabalho.