Tipos de depressão e utilização de teste farmacogenético para escolha de antidepressivo na prática clínica

Sumário

Tipos de depressão e utilização de teste farmacogenético para escolha de antidepressivo na prática clínica

Vários médicos que atuam em psiquiatria possuem dúvidas sobre aplicação dos testes genéticos para escolha de antidepressivo para seus pacientes. Em boa parte das vezes, o profissional solicita o teste antes mesmo do caso ser considerado como depressão refratária (uso de dois antidepressivos de classes diferentes, em doses otimizadas por um período de seis a oito semanas).

A preocupação do profissional, até por pressão do paciente, pode ser pelo temor de não querer esperar por semanas para descobrir se obterá resposta terapêutica da opção de tratamento escolhida. Independentemente da viabilidade financeira do paciente, a solicitação do teste não deve ser preconizada para este tipo de situação.

É importante notar que os testes farmcogenéticos não são úteis para prever a eficácia de um antidepressivo, apesar do que algumas propagandas possam sugerir.  Antes de mais nada, precisa-se entender os diferentes tipos de depressão, que podem ser distinguidas  como:

Depressão “mais serotoninérgica" (ou neurótica), que guarda semelhanças com Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG).

  • Frequentemente ocorre após eventos estressores externos (conflitos interpessoais, perdas familiares, dificuldades financeiras, etc)
  • Manifesta-se principalmente por: ansiedade intensa, preocupação excessiva, pensamentos negativos e um sofrimento emocional proeminente.
  • A escolha inicial de antidepressivo mais recomendada são os inibidores seletivos de recaptação de serotonina (como fluoxetina, sertralina ou escitalopram).

Depressão "mais noradrenérgica/
dopaminérgica" (ou orgânica), que se aproxima de doenças neurológicas (como esclerose múltipla ou doença de Parkinson)

  • Em geral, não guarda relação com eventos ambientais ou traços da personalidade.
  • Manifesta-se principalmente por: falta de prazer (anedonia) intensa, fadiga acentuada, alterações no sono (insônia) e no apetite, dificuldade de concentração e lentificação psicomotora.
  • A escolha inicial de antidepressivo mais recomendada são os antidepressivos tricíclicos (como nortriptilina ou amitriptilina).

Especialização em Psicofarmacologia

Isto posto, não se deve confundir apresentações tão distintas sob o mesmo diagnóstico de Transtorno Depressivo Maior (TDM). Reconhecer corretamente o tipo predominante de depressão é crucial para a escolha terapêutica adequada, melhorando significativamente o prognóstico e a qualidade de vida do paciente. Por conseguinte, a caracterização clínica é fundamental para a escolha adequada inicial dos antidepressivos e não a recomendação indicada no teste farmacogenético.

A maioria dos testes avalia aspectos relacionados à metabolização dos medicamentos, e não a indicação da melhor medicação para o quadro clínico do paciente. Esses testes analisam genes que codificam enzimas do sistema CYP450, responsáveis pelo metabolismo de muitos psicofármacos. Saber se um paciente é um metabolizador ultrarrápido ou um metabolizador lento pode ajudar a ajustar doses e evitar efeitos colaterais ou ineficácia, mas raramente oferecerá um resultado claro sobre qual antidepressivo terá melhor resposta

Na pós-graduação em psicofarmacologia da PsiQs, ensinamos estratégias diversas para o tratamento da depressão unipolar, que costumam trazer respostas mais rápidas e claras do que a simples troca de medicação baseada em testes genéticos. Assim, o aluno poderá reservar o uso do teste genético para casos de verdadeira refratariedade do episódio depressivo maior (após o diagnóstico diferencial com transtorno bipolar e sintomas pré-mórbidos da esquizofrenia).

Diante do exposto, o farmacoteste pode ser uma ferramenta útil, mas raramente é um bom ponto de partida para o tratamento da depressão maior.

Torne-se aluno da pós-graduação de psicofarmacologia da PsiQs e aprenda as melhores estratégias para o tratamento dos seus pacientes com depressão e se torne um profissional diferenciado e de referência na psiquiatria!

Vale a Pena Investir na Especialização em Psiquiatria?

Diante do cenário de alta demanda, excelentes perspectivas de remuneração e diversas possibilidades de atuação, a Psiquiatria se destaca como uma das especialidades médicas mais promissoras no Brasil. Para médicos recém-formados ou que desejam migrar de especialidade ou acrescentar uma nova especialidade, investir na formação em Psiquiatria pode ser um passo decisivo para uma carreira de sucesso e impacto positivo na saúde mental da população.

Se você quer saber mais sobre como se especializar em Psiquiatria, conheça os cursos da PSIQS e comece hoje mesmo sua jornada rumo a uma carreira de sucesso! (acesse clicando aqui)

Foto de Dr. Rafael Oliveira

Dr. Rafael Oliveira

Graduado em Medicina e Filosofia.
Especialista em Psiquiatria, Psicoterapia e Auditoria Médica.
Mestre em Medicina.
Médico Psiquiatra concursado do Poder Judiciário da União.
Diretor Acadêmico da PsiQs.

© 2025 Psiqs. Todos os direitos reservados.